segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A CEGUEIRA

A ausência de luz provoca em mim a cegueira. Sem nada ver avanço rumo ao futuro com passos incertos, mas decididos.
Como não consigo ver, crio no meu espírito imagens tenebrosas de adamastores monstruosos, plantados nos cabos das tormentas deste imenso oceano em que navego a minha solitária existência.
O monstro empurra-me para o abismo, porem eu luto, porque tenho a obrigação de sobreviver. Nasci para viver! E sonho vencer a besta, passar o Cabo da Boa Esperança e lançar-me sem receio no colo maternal da escuridão plena.
Quis dizer isto. Está dito! Não sei se realmente sinto isto, ou se foi a fingir que o disse.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

SEM TÍTULO

Aqui estou eu a esta hora da noite! Porque a noite é minha amiga.
Bom! pensei em dizer algo bonito, matizado com tons de Primavera, porém nada me ocorre e só esta penumbra me alegra.
Aqui é tudo negro, ou quase tudo. Apenas, num pequeno cubículo onde caibo eu e pouco mais que a minha sombra, há alguma luz. Estou sentado. À minha frente uma janela aberta sob a noite. Para lá dela é escuridão imensa.
A noite é a janela do dia que se fechou em mistérios sem fim.
Está a chover, mas eu não consigo ver as gotas que caiem do beirado. Vejo-as cair numa apressada melodia que me afoga os olhos numa tempestade sem tréguas.
Assim vou vivendo com a medonha caricia das trevas e o afago sufocante da solidão.
Estou feliz. Feliz por estar aqui e por.....
A seguir virá uma longa noite, porque o Sol quando nasce não é para todos!...